Quanto custa o vinho? Desabafo sobre o mercado brasileiro!

Quanto custa o vinho? Podemos até dizer que há boas opções com preços acessíveis e que realmente nos surpreendemos ao abrir a garrafa, mas fazer milagre não é possível! Pelo menos não aqui no Brasil… Já explico!!!

A verdade é que todo mundo está buscando economizar, e sim a escolha do vinho está sendo bem consciente e o preço tem pesado nessa decisão. Mas não é possível fazer milagres!!! E isso tem me incomodado bastante quando escuto comentários de pessoas que praticamente tentam me convencer que é um “milagre” ou simplesmente se acham as pessoas mais sortudas da vida porque encontraram um vinho de uma região específica ou de uma uva determinada com um precinho “muy amigo”!

Me convencer que é milagre fica bem complicado, diria que com os meus anos de experiência no mundo do vinho é impossível.  Então vamos falar da “sorte” dessas pessoas… Será sorte? 

Existem critérios bem complicados na produção de um vinho, exemplo: preço das terras, plantio, colheita e muitas vezes tudo isso dentro ainda de uma legislação rígida! Exemplo: um pedaço de terra em Bordeaux não é o mesmo preço de terras em uma região mais ou menos… Passando para a realidade no Brasil como exemplo: comprar um metro quadrado no Leblon não é o mesmo que o metro quadrado no Méier! Ou seja, difícil “alugar” pelo mesmo preço, né?! Então voltando ao vinho… Vocês acham realmente que é possível fornecer um produto de terras tão caras com precinho super honesto? A verdade é não!  Talvez lá você consiga rótulos de pequenos produtores – cooperativas – por preços bem em conta, mas missão impossível em terras brasileiras, temos importação, impostos e outras coisas mais que explico no último tópico dessa matéria.

“Se você quiser comprar um vinhedo na França você pode contar com o  preço médio, de acordo com as estatísticas de 2014, 136.400 euros por hectare de terra denominação. Que é de R$ 61.000 para um acre.”  Forbes – fevereiro 2015.

Uvas “caras” por preço em conta! Essa tem sido outra questão super em moda podemos dizer assim?! Por exemplo: tudo mundo agora está aprendendo a gostar da Pinot Noir – minha preferida de sempre. E a Pinot Noir que é uma casta tão específica e trabalhosa está sendo banalizada por produtores que estão expondo rótulos com essa casta absurdamente! Sim, falo isso porque já experimentei pelo menos 2 vinhos chilenos – não sitarei nomes – que obviamente são outras castas diluídas em água e chegam ao mercado “leve” e pouco alcoólico. Santa inocência alguém achar que a poderosa Pinot Noir será vendida por preços insignificantes… Ela é exigente!!! Ela é muito exigente!!! Pede climas frescos, colheita com muita atenção (normalmente manual), um bom enólogo para deixar a fruta da Pinot Noir se expressar bem no vinho e tudo isso custa muito!

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E por último um tópico que faz toda a diferença nos preços que enfrentamos no Brasil hoje, os impostos! Como exemplo vou falar do Estado do Rio de Janeiro – impostos federal e estadual – chegam a 58% do valor de venda do produto final. Dúvida? Peça um cupom fiscal de uma loja de vinhos ao comprar uma garrafa e confira! Então em um exemplo de matemática bem simples mostramos um exemplo:

  • Vinho na prateleira da loja: R$ 50,0O 
  • Valor do Vinho sem impostos: R$ 29,00 
  • Custos entre produção, embalagens, transportes, seguro…. – R$ ?
  • Lucro a ser dividido entre vinícola + importador e loja: R$ ?

E você acha que alguém está fazendo vinho de graça para você? Pode apostar que não! A matemática aí em cima é a resposta! 

É caro! Não tem como ser barato os “melhores”! Digo aqui, as melhores regiões do mundo e as melhores uvas… Mas sim, você pode encontrar boas opções por preço econômico de vinhos de regiões menos caras e com uvas não tão exigentes.

Aí você me pergunta: Mas como é que está no rótulo que é uva Pinot Noir? Como é que está no rótulo que o vinho é Reserva e custa R$ 35,00? Como é que o vinho tem o nome Bordeaux no rótulo e custa R$ 39,90?

Uma única resposta: O Brasil controla dados como gramatura e litros dos produtos no mercado, assim como o teor alcoólico total. Demais dados no rótulo vem da criatividade de cada um! Conheço vinho que tem 3 rótulos iguais sendo o mesmo produto, tudo para agradar público diferenciado.

Quanto ao rótulo de Bordeaux… Bem, a França controla o mercado interno dela, e todo ano são descobertas algumas fraudes. Isso acontece em outros países exatamente igual. Mas o vinho que sai do país – muitas vezes com um rótulo diferente do que entra no mercado a venda -já é responsabilidade de quem compra e vende, certo?! Por aí!!! As vezes com ligação interna do próprio país no esquema e as vezes sem nenhuma conexão.

Esse foi o meu desabafo! E não tente me convencer de compras milagrosas! Não estou julgando país A ou B, uva C ou D… Apenas como já disse, é um desabafado! Sejam mais exigentes! Pensem: quanto custa o vinho? Busquem informações daquele produtor, verifiquem se realmente ele tem vinhedos da tal uva, se os rótulos em seu país são similares aos exportados… Fique atento! E boas taças para você!

 

 

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