Terroir é a palavra que mais escutamos entre os enófilos e profissionais do mundo do vinho. E por muito tempo, foi difícil definir exatamente o seu significado, já que não temos uma tradução literária da palavra para o português.

A junção dos fatores como clima, solo, topografia e homem é a definição mais próxima do que expressa a palavra Terroir. E por muito tempo sempre defendi essa linha de pensamento e estudo, assim como a maioria de profissionais que conheço. Já gravei vídeo para o youtube e também ensino em meus cursos essa teoria. Porém, recentemente, lendo uma nova linha de estudos da viticultura, do Master of Wine Stephen Skelton, parei para pensar e colocar em dúvida a questão: Terroir não seria marketing?

Vou explicar! Uma região ou sub-região produtora de vinhos no Velho Mundo, tem regras rígidas quanto ao plantio, vinhas, colheita e até mesmo o porta-enxerto que foi utilizado. Além é claro, das técnicas de vinificação, leveduras e barricas. Por fim, o desejo do enólogo de produzir exatamente o que consumidor final espera de um vinho daquela região, principalmente por tradição. Ou seja, se todo mundo produz dentro da lei e da tradição, os vinhos obviamente terão características similares.

Exemplos práticos são colocados na linha de estudo, como os vinhos da Borgonha, no qual relata que o consumidor, críticos e livros já citam quais as características pré-definidas do vinho de tal região. Citamos os vinhos da AOC Gevrey-Chambertin que devem ser encorpados, firmes e ainda envolventes, essas todas definições já predeterminadas.

Surgem então as perguntas:

E se o produtor resolve mudar? Será bem aceito por críticos, mídia e consumidores? Se o produtor for julgado por não “expressar o terroir” da região? Ele deixará de vender o vinho? Perderá mercado? Mas é possível produzir um vinho em um terroir e não ser o terroir? Então seria um grande prática de “produções padrões” para expressar o tal terroir de cada região?

Podemos resumir em uma única resposta todas as questões acima. O TERROIR é muito mais que a junção dos elementos citados no primeiro parágrafo desse artigo. É muito mais do que um microclima, solo, história… É um conceito de marketing baseado nas expectativas já criadas por toda uma sociedade.

Terroir é uma defesa regional dos produtores de vinhos para que os produtores de outros países, principalmente Novo Mundo, não consigam colocar no mercado vinhos similares, mesmo que em uma degustação às cegas o Pinot Noir de Central Otago seja confundindo com um Borgonha. Por fim, que a frase na boca de todos seja: O vinho é excelente, mas não tem o terroir da Borgonha!